FRIO
O frio é demais. Entra pelos poros da minha pele e gela meus ossos. Minhas roupas estão molhadas. Meu cabelo está molhado. Minha boca está seca. Não sei mais o que fazer. Caminho lentamente para tentar diminuir o vento que insiste em bater no meu rosto. Já era para eu ter chegado em minha casa, não que lá esteja menos frio mas pelo menos terei roupas secas.
Só eu estou na rua, caminhando, nenhuma casa, nenhum carro, ninguem passa por mim. Faço esse caminho todos os dias e, logo hoje, não consigo identificar onde estou. Saí de casa apenas para comprar algo para comer, caminhei em direção a cidade mas a cidade não apareceu. Resolvi voltar e para minha surpresa minha casa também ainda não apareceu. Estou caminhando há algumas horas e tudo o que eu vejo é escuridão e alguns pontos de luz que aparecem e desaparecem em diferentes espaços de tempo e em diferentes distâncias. Vejo tambem vulto no céu escuro bem acima de mim. Como pássaros. Seguindo sempre para mesma direção. A direção contrária a minha.
Resolvo tirar o meu casaco, ele está pesando demais. Enxarcado de água. Não me pergunte de onde veio essa água, tambem não sei. Simplesmente percebi que estava molhado. Saí de casa seco, isso eu garanto. Meus pés começam a doer. Parece que estou caminhando sobre agulhas. Resolvo parar para descansar um pouco. Sento no chão. Deito. Fechos os olhos. Abro os olhos assustado com o falatório em minha volta. Só barulho. Não enxergo nada. Branco. Então aparecem as bocas que estão falando. Dezenas. Aparecem os olhos, assustados, que me fitam. Não consigo entender nada. Fecho os olhos novamente para tentar sair dali. Nada muda. Não consigo me mexer. Não sinto meu corpo. Apenas olho e escuto. Milagre... ouço. Está vivo... ouço. Uma pessoa está chorando atras de mim, é a unica que chora. Não consigo me virar para ver quem é. Tento falar alguma coisa mas minha boca nem abre. Fecho os olhos. Começa a chover.

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