18.8.06

A PEDRA

Era uma vez uma pedra. Uma pedra normal. Não era uma pedra preciosa. Também não era uma pedra grande. Desde que se desprendeu de sua pedra-mãe, ela vivia no mesmo lugar. Num jardim abandonado, sem movimento, sem vida.

Mas um dia esse jardim foi vendido e essa pedra foi posta em uma caminhão. No meio do caminho ela caiu e rolou, indo parar num playground movimentado e cheio de crianças. Uma dessas crianças a pegou e arremessou em um passarinho. A pedra tentou avisá-lo mas não teve tempo, com uma batida seca ela o derrubou, quebrando uma de suas asas. Caíram lado a lado, pedra e passarinho.

- Por que você fez isso comigo? - perguntou o passarinho.

A pedra não sabia o que falar. Se sentia culpada mesmo não sendo ela a responsável.

- Me desculpe, passarinho. Fui arremessada por um garoto, não pude fazer nada.

- E agora o que eu faço? Minha asa está quebrada e não consigo caminhar também. Como irei me alimentar?

Realmente, os pés do passarinho estavam muito machucados. A pedra não sabia o que fazer. Tentou gritar por ajuda (as pedras quando querem fazem muito barulho), mas ninguém respondeu.

- Eu não sei o que fazer. Sou apenas uma pedra. Não sei como posso te ajudar. - E chorou. Chorou muito. Ficou dois dias chorando sem parar.

Então algo aconteceu. As lágrimas da pedra começaram a formar limo. O passarinho então começou a se alimentar desse limo. E assim ficaram, pedra e passarinho, enquanto uma chorava o outro se alimentava, se mantinha vivo.

Um certo dia o passarinho, ao acordar, percebeu que sua asa havia curado. Fez um esforço e conseguiu ficar em pé. Mais um esforço e ele alçou võo.

- Obrigado, pedra. Suas lágrimas me deram água e seu limo alimento tempo suficiente para que minha asa se curasse. Agora posso voar e você pode parar de chorar. - e essas foram as ultimas palavras que a pedra ouviu do passarinho.

Mas a pedra não parou. Chorou e chorou e chorou... afinal ela era apenas uma pedra, ficaria ali sozinha até que alguém a arremessasse novamente.

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