ANJO
Deserto.
Tudo parecia um sonho. Nada fazia sentido. O calor era intenso, vermelha era a paisagem. O que aconteceu?
Lembro-me de estar parado, aguardando minha vez de subir ao palco. Nervoso. Minhas mãos transpiravam, sentia um certo tremor nas pernas. Enfim o anúncio. Havia chegado a hora. Ao subir senti que havia algo errado, as coisa estavam fora de lugar. Insegurança. Nunca fui bom em improvisar.
Deserto.
Meus pés queimam ao pisar na terra vermelha mas mesmo assim continuo andando. Tentando achar algo que indique onde estou. Quanto mais eu caminho mais eu percebo que estou no mesmo lugar. Não há direção. Perdido, não tenho para onde ir. Olho para os lado e... sei onde estou.
Começo a perceber coisas que antes não havia notado. Vejo pessoas caminhando lentamente, cabisbaixas, sem direção, sem objetivo, sem destino. Castigo. Olho pra o alto e suplico por ajuda. Mas como serei ajudado por algo que reneguei minha vida inteira? Como serei ajudado por algo que fingi não acreditar? Sento e, como os outros, abaixo minha cabeça. Não choro. Não tenho mais lágrimas.
Alguma coisa macia toca levemente meu rosto.
Luz.
Dourada. Como um sol que alimenta mil planetas. Branca. Como o mais puro dos pensamentos. O que fazes aqui neste lugar ao qual não pertence? Por que encostas teus pés neste chão? Não importa o que tenhas feito, nada justifica tal castigo. Ela então sorri, e seu sorriso me inunda de sentimentos. Fecho os olhos não suportando tal beleza. Beleza que não sou digno de olhar. Mesmo com olhos fechado a vejo esticar as mãos. Oferecendo-me. Estico meu braço e a toco. Claridade. Não enxergo nada. Mas sinto...
..sinto o mundo sob os meus pés.

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